21 março, 2007

Retalhos

São simplesmente momentos. Pedaços de tempo que, se costurados, pode ser que façam um dia, ou dois, ou três, quem sabe. Um sorriso, uma porta de elevador segurada quando se está no cúmulo do atraso, um toque de leve nas costas da mão. Tudo são realmente pequenos instantes em que os homens percebem - grande novidade - que não estão sós.

E a vida vai seguindo, feita em retalhos diários de sentimentos , onde até a mais dolorida das solitudes pode ser esquecida por um olhar cruzado por cima de uma tela de computador. E o vazio da sala diminuído a partir de um rabo de olho. E as coisas cansativas, complexas, costumeiras, se transformam em simples, de textura adocicada. E aqueles, esses dias, feitos de pequenos momentos de humanidade, vão se tornando mais constantes e presentes. Até que não precisem mais de linha, agulha ou mão hábil de costureira. Já vem prontos, colados, grudados, sem pause, stop, qualquer comando que os explique em realidade.

Agora, são dias.


(esse foi pra ti, Georgia.)

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