12 março, 2007

Estampa de azul e verde

Sete. Fatias de luz de persiana ofuscavam o olho. Doia, ate. E o tic..tic... insistente do despertador sobre a mesa fazia par com o passarinho chato la de fora, que cantava desesperadamente desde cedo naquela manha. Ambos trinavam as mesmas notas, sempre e sempre, com o objetivo unico de espantar o sono, sim, especialmente, dos facilmente insones. Inclinava o pescoco mais para tras, de vez em quando, observando a arvore recortada pelas frestas da janela. Ia e vinha, resistente ao vento frio, num quase balanco invejoso de coqueiro na praia.

Oito. Setenta e cinco sinais. Contava com a ponta do dedo, sem tocar. Da cabeca ao peito. E so na frente. E sentou, resumindo-se no canto da parede, encolhendo as pernas. Olhava agora para si. O cabelo, nunca e sempre baguncado, as unhas constantemente por fazer, o colar jogado no chao de carpete. Sabia, nessas horas, as preocupacoes desnecessarias sao quase sempre inevitaveis, mas refutadas com todas as melhores vontades de nao estragar o momento. Aquele instante entre o acordar e o sono.

Nove. O murmurio, de boca meio tampada a lencol estampado, lembrava que nao era invencao.
A ordem e a mao debaixo da coberta nao deixava duvidas. Esqueceria, em alguns momentos, o relogio, o passarinho, o cabelo, as unhas. Ate o colar, que seria provavelmente achado no proximo domingo de limpeza do quarto. So os sinais continuam, importados. Deita, que eh cedo.

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