- Droga de nascer do sol. Ele já nasce todo dia, ué, não sei pra quê tanto alvoroço... - resmungava a menina, enrolada numa toalha barata azul. Fodam-se as risadas amigas, as músicas cantadas em conjunto, as confissões tímidas arrancadas à penumbra de fogueira e todo e qualquer estereótipo que componha um luau. Aliás, foda-se também aquele mesmo fogo, aceso pela primeira vez em tantas visitas à praia graças ao combustível portátil - líquido de isqueiro - e à madeira, dita em voz baixa, roubada de uma construção vizinha. Pss, roubada não, que é feio. Pegue para fins de benefícios maiores para uma determinada população, ou seja, eles.A praia, que fora sua por quase toda a noite, era o último lugar onde ela queria estar. Desejava, além de sua cama e um banho urgente, uma dor de barriga súbita e incontível para o dono do carro, acompanhada de uma insaciável necessidade de ir para casa. Desejar o mal aos outros? Que nada...Nunca. Só por enquanto, hoje, na verdade.
Estar de carona tem isso. Fica-se à mercê do "não, só mais meia hora, vai", que se estenderá, provavelmente, ao "quando amanhecer a gente vai". Vontade grande de dormir debaixo de algum pneu, esquecer o estômago refinado, o fígado afeminado e o cabelo embaralhado. Ótimas companhias. O primeiro se recusa a chilito barato, o segundo detesta qualquer vinho com nome de santo - sim, o pecado foi ter bebido -, e o terceiro abomina a combinação vento-areia-falta de pente. Pequenos detalhes que foram esquecidos durante a noite e agora, somente agora, parecem importar.
E se sentou, em pose de seis anos de idade, de pernas estendidas na areia úmida daquela quase-manhã. Mãos nos joelhos segurando as pontas da cabaninha azul felpuda na qual se escondia. E tentou cochilar ali, fingindo que não, não estava lá. Já estava muito mais do que cheia de toda essa areia, daquele álcool e do seu próprio sono. Sorte que o namorado não veio, se livrando de ter que aguentar uma pessoa em tão deplorável estado. Não físico, nem moral, mas de humor. Toda a rabugice nela parecia antevir ao exato momento de nascer do sol.
Mais um "senta, só mais um pouco", outro "não vamos agora, pega outro copo, vai...", e ela quase não aguenta mais. Na verdade, já desistiu, nem ouve, insiste só de birra. E respira fundo. Um pensamento quase incontrolável de puxar o garoto sorridente que dirige e dizer-lhe alto no ouvido " isso lá é hora de gente decente estar acordada?", repetindo sua própria mãe. Mas não, permanece quieta, encurvada, murmurando mil rabugens. E vai, continua resmungando, embalada de azul, por minutos e minutos a fio. Até que de repente, pára. E falta a respiração. Primeiros raios. Muitos sorrisos. Imagina o que seria dela se justamente hoje o sol se esquecesse de subir?
Bom dia, todo mundo!
Um comentário:
só esuqeceu de dizer que teve uma companhioa excelente, de um amigo deviertido, e que graças a ele,toto, ramon e o outro que não lembro o nome, ficou quentinha e com uma fogueira maravilhosa...hunfff
mas da proxima vez levo uma barraca pra vc ficar legal...te amo guriazinha ^^
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